Dor no ombro e dificuldade para realizar as tarefas? Pode ser síndrome do manguito rotador
- 23 de fev.
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A síndrome do manguito rotador refere-se a um espectro de patologias que afetam os tendões do manguito rotador (supraspinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor), incluindo tendinopatia, bursite subacromial, rupturas parciais ou totais e artropatia secundária à ruptura crônica.
O processo geralmente inicia-se por degeneração tendínea, com desorganização da matriz e alterações inflamatórias, podendo evoluir para rupturas parciais e totais. Fatores extrínsecos (impacto subacromial) e intrínsecos (idade, genética, vascularização) contribuem para a lesão. A progressão pode levar à migração superior da cabeça do úmero e artropatia.

Sintomas:
Os sintomas da síndrome do manguito rotador incluem principalmente dor no ombro lateral, que pode ser de início insidioso e piorar à noite, frequentemente levando à dificuldade para dormir. A dor é tipicamente exacerbada por movimentos acima da cabeça (como alcançar prateleiras altas) ou por movimentos de rotação interna e externa, como vestir roupas ou pentear o cabelo. Além da dor, pode haver fraqueza ao elevar o braço acima do nível do ombro, limitação de movimento, e, em casos mais avançados, atrofia muscular na região periescapular.
O exame físico pode revelar dor à palpação, arco doloroso entre 60° e 120° de abdução, e fraqueza nos testes de força específicos para os músculos do manguito rotador, como o teste do “empty can” para o supraespinhal e o teste de resistência à rotação externa para o infraespinhal. Em lesões completas, pode ocorrer incapacidade de elevar o braço ou manter a posição contra a gravidade, além de crepitação durante o movimento do ombro. A American Academy of Family Physicians destaca que a tendinopatia e as lesões do manguito rotador são causas frequentes de dor anterolateral do ombro, especialmente durante a abdução, podendo estar associadas a bursite subacromial e síndrome do impacto. Em casos agudos, a perda súbita de força e mobilidade pode indicar ruptura completa de um ou mais tendões do manguito rotador.
Diagnóstico:
O diagnóstico é clínico, baseado em dor no ombro, especialmente durante movimentos acima da cabeça, fraqueza e limitação funcional. Testes específicos incluem o arco doloroso (painful arc), teste de resistência à rotação externa, teste do braço caído (drop arm) e lag tests. A avaliação por imagem inclui radiografias para excluir outras causas, ultrassonografia e ressonância magnética para caracterizar rupturas e degeneração muscular.
Diagnósticos diferenciais:
Incluem capsulite adesiva (restrição de movimento ativo e passivo), osteoartrite glenoumeral, instabilidade do ombro, radiculopatia cervical e lesões do labrum.

Tratamento:
O manejo inicial é conservador, com fisioterapia focada em reabilitação funcional, analgesia (anti-inflamatórios não esteroidais tópicos ou sistêmicos), e infiltração subacromial de corticosteroide para alívio sintomático de curto prazo. A American Academy of Family Physicians recomenda cirurgia para pacientes jovens e ativos com rupturas totais agudas, enquanto pacientes idosos ou com rupturas irreparáveis podem se beneficiar de reabilitação e reeducação muscular. O tratamento cirúrgico (reparo artroscópico) é reservado para casos refratários ao tratamento conservador ou com perda funcional significativa.
Se você apresenta dor no ombro que piora à noite, dificuldade para levantar o braço ou perda de força, não ignore. A avaliação especializada é fundamental para diagnóstico preciso, evitar a progressão da lesão e definir o melhor tratamento.
Referências:
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