O que é Gota: causas, sintomas e como controlar as crises
- 27 de abr.
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Gota é definida como uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos periarticulares, resultando em episódios agudos de artrite e, em casos avançados, formação de tofos e dano articular crônico.

Fisiopatologia:
A fisiopatologia envolve hiperuricemia (aumento de ácido úrico no sangue), geralmente por aumento na produção ou baixa excreção de ácido úrico. Quando os níveis séricos excedem o limiar de solubilidade (>6,8 mg/dL), ocorre a formação de cristais de urato monossódico. Esses cristais ativam o inflamassoma NLRP3 em macrófagos, levando à produção de IL-1β e recrutamento de neutrófilos, desencadeando a inflamação aguda característica do ataque de gota.
Sintomas:
Os sintomas da gota incluem início súbito de dor intensa em uma articulação, geralmente monoarticular, com predileção pela primeira articulação metatarsofalângica do hálux (podagra). A dor frequentemente atinge intensidade máxima em menos de 24 horas, acompanhada de edema, calor local, eritema e limitação funcional da articulação acometida. O paciente pode relatar incapacidade de suportar o toque ou de deambular quando o pé está envolvido. Episódios prévios semelhantes que se resolvem espontaneamente são comuns.
Em casos de doença crônica ou não tratada, podem surgir tofos subcutâneos (nódulos firmes compostos por cristais de urato monossódico), geralmente em superfícies extensoras, como cotovelos, dedos e pavilhão auricular. Sintomas sistêmicos, como febre e calafrios, podem ocorrer em crises poliarticulares, especialmente em pacientes com doença avançada.
Entre as manifestações associadas, destacam-se descamação da pele sobre a articulação após a crise, limitação de movimento e, em casos avançados, deformidade articular. A gota está frequentemente associada a comorbidades como hipertensão, doença renal crônica, obesidade e nefrolitíase.
Diagnóstico:
O diagnóstico padrão-ouro é a identificação de cristais de urato monossódico em líquido sinovial ou tofo por microscopia de luz polarizada (cristais em forma de agulha e birrefringência negativa).
Em situações onde a artrocentese não é viável, algoritmos clínicos baseados em sinais e sintomas (monoartrite de início súbito, envolvimento do primeiro metatarsofalângico, hiperuricemia, história de ataques prévios) apresentam boa acurácia.
Exames de imagem como ultrassonografia (sinal do duplo contorno) e tomografia computadorizada de dupla energia podem auxiliar em casos duvidosos.
Tratamento:
O tratamento da crise aguda inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina em baixa dose (≤1,8 mg/dia por até 7–10 dias) ou corticosteroides, conforme recomendado pelo American College of Physicians.
Para prevenção de recorrências e resolução de tofos, a terapia de redução de urato é fundamental, com alopurinol como primeira linha, iniciando em dose baixa e titulando gradualmente para manter ácido úrico <6 mg/dL. Em casos selecionados, o alvo pode ser ainda mais baixo.
Durante a introdução da terapia urato-redutora, recomenda-se profilaxia anti-inflamatória (colchicina 0,5–0,6 mg/dia).
Modificações dietéticas e de estilo de vida têm efeito modesto, mas devem ser orientadas.
Se você teve um episódio de dor intensa em uma articulação, procure um reumatologista e descubra como controlar as crises e proteger suas articulações.
Referências:
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