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Osteoartrite, Artrose ou Osteoartrose: entenda a doença que afeta as articulações

3 de mai.
3 min de leitura

A osteoartrite é uma doença articular crônica caracterizada pela falha estrutural e funcional das articulações sinoviais, envolvendo degradação da cartilagem, alterações no osso subcondral, sinovite leve, formação de osteófitos e comprometimento de outros tecidos articulares. É a doença articular mais prevalente mundialmente, especialmente em joelhos, quadris, mãos e pés.


mao com osteoartite

Sintomas:

Os sintomas principais incluem dor articular (tipicamente relacionada ao uso e aliviada pelo repouso), rigidez (especialmente matinal ou após períodos de inatividade, geralmente durando menos de 30 minutos), limitação de movimento, crepitação (sensação de estalido ou rangido ao movimentar a articulação), aumento ósseo (deformidade ou aumento do volume articular devido à formação de osteófitos), e, em casos avançados, fraqueza muscular e restrição funcional.

A dor pode ser intermitente, piorando com atividades que sobrecarregam a articulação e, em estágios avançados, pode ocorrer mesmo em repouso ou à noite. O inchaço articular pode estar presente, geralmente discreto, devido à sinovite leve. Em articulações das mãos, pode haver nódulos visíveis (de Heberden e Bouchard) e deformidades. Sintomas como sensação de instabilidade (“falseio”), episódios de piora aguda (“flares”) e, menos frequentemente, sintomas neuropáticos (formigamento, queimação) também podem ocorrer.

A rigidez matinal prolongada (>60 minutos) sugere outras etiologias, como artrite inflamatória. Sintomas sistêmicos, como febre ou perda de peso, não são característicos da osteoartrite.


Fisiopatologia:

A osteoartrite não é apenas uma doença de desgaste da cartilagem, mas sim uma condição que afeta toda a articulação. Fatores mecânicos, inflamatórios e metabólicos levam a um desequilíbrio entre destruição e reparo dos tecidos articulares. O processo envolve inflamação de baixo grau, ativação de células do sistema imune inato e adaptativo, produção de mediadores pró-inflamatórios e degradação da matriz extracelular por metaloproteinases, além de remodelação óssea e formação de osteófitos. Fatores de risco incluem idade avançada, sexo feminino, obesidade, lesão articular prévia, genética e alterações anatômicas.


Diagnóstico:

O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em dor articular relacionada à atividade, rigidez matinal breve (<30 minutos) e limitação funcional. Achados físicos incluem crepitação, aumento ósseo, restrição de movimento e sensibilidade local. Radiografias podem mostrar osteófitos, estreitamento do espaço articular e esclerose subcondral, sendo úteis para avaliar gravidade e orientar condutas, mas não são necessárias para o diagnóstico em casos típicos. Exames laboratoriais não são indicados, exceto para excluir outras etiologias.


Tratamento:

O manejo é multimodal e progressivo. As principais sociedades, como o American College of Rheumatology (ACR), Osteoarthritis Research Society International (OARSI) e American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), recomendam como pilares: educação, exercícios físicos (fortalecimento e aeróbicos), perda de peso para obesos e suporte psicossocial. Analgésicos tópicos ou orais, principalmente anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), são primeira linha farmacológica, considerando contraindicações. Injeções intra-articulares de corticosteroide podem ser usadas para alívio temporário. Duloxetina pode ser considerada em casos refratários. Opiáceos devem ser evitados. Em casos avançados, com dor e limitação funcional significativa, a artroplastia total pode ser indicada.


Quanto mais cedo o tratamento começa, maior a chance de preservar a função articular. Se você sente dor ou limitação nas articulações, procure um reumatologista e inicie o cuidado adequado.


Referências:

1. DUONG, V.; OO, W. M.; DING, C.; CULVENOR, A. G.; HUNTER, D. J. Evaluation and treatment of knee pain: a review. JAMA, v. 330, n. 16, p. 1568–1580, 2023. DOI: 10.1001/jama.2023.19675.

2. KATZ, J. N.; ARANT, K. R.; LOESER, R. F. Diagnosis and treatment of hip and knee osteoarthritis: a review. JAMA, v. 325, n. 6, p. 568–578, 2021. DOI: 10.1001/jama.2020.22171.

3. KLOPPENBURG, M.; NAMANE, M.; CICUTTINI, F. Osteoarthritis. The Lancet, v. 405, n. 10472, p. 71–85, 2025. DOI: 10.1016/S0140-6736(24)02322-5.

4. COACCIOLI, S.; SARZI-PUTTINI, P.; ZIS, P.; RINONAPOLI, G.; VARRASSI, G. Osteoarthritis: new insight on its pathophysiology. Journal of Clinical Medicine, v. 11, n. 20, p. 6013, 2022. DOI: 10.3390/jcm11206013.

5. SHARMA, L. Osteoarthritis of the knee. The New England Journal of Medicine, v. 384, n. 1, p. 51–59, 2021. DOI: 10.1056/NEJMcp1903768.



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