Artrite Reumatoide: a doença que vai além das dores nas articulações
Artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica, autoimune, que afeta principalmente articulações periféricas de forma simétrica, podendo evoluir para destruição articular, deformidades e comprometimento sistêmico.

Fisiopatologia:
A fisiopatologia envolve ativação de células T e B, produção de autoanticorpos (principalmente anti-peptídeo citrulinado cíclico [ACPA] e fator reumatoide [FR]), infiltração sinovial por linfócitos e monócitos, hiperplasia da membrana sinovial (pannus), neovascularização e liberação de citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e IL-6, levando à erosão óssea e degradação da cartilagem.
Sintomas:
Os sintomas da artrite reumatoide incluem principalmente dor articular, edema (inchaço) e rigidez matinal que dura pelo menos 30 minutos, frequentemente acometendo de forma simétrica as pequenas articulações das mãos (metacarpofalângicas, interfalângicas proximais) e dos pés, além dos punhos. Grandes articulações como joelhos, tornozelos, ombros e cotovelos também podem ser afetadas, especialmente em fases mais avançadas.
Outros sintomas comuns são fadiga, fraqueza, perda de peso, febre baixa e anorexia, especialmente em casos de inflamação sistêmica significativa.
A rigidez matinal é um achado característico e pode persistir por horas. Em casos não tratados, pode ocorrer deformidade articular, perda de função e desenvolvimento de nódulos reumatoides subcutâneos.
Manifestações extra-articulares podem incluir envolvimento ocular (como esclerite), pulmonar (doença intersticial), cutâneo (vasculite), anemia e aumento do risco cardiovascular.
O padrão inicial pode ser insidioso, com sintomas inespecíficos como sensação de gripe e fadiga, evoluindo para poliartrite simétrica.
A American College of Rheumatology e a European Alliance of Associations for Rheumatology recomendam atenção especial à presença de dor, edema e rigidez matinal em pequenas articulações, além de sintomas sistêmicos, para diagnóstico precoce e intervenção rápida.
Diagnóstico:
O diagnóstico é clínico, baseado em artrite de pelo menos uma articulação com sinais inflamatórios persistentes, exclusão de outras causas e apoio em exames laboratoriais (FR, ACPA, PCR, VHS) e de imagem (radiografia, ultrassonografia, ressonância magnética para sinovite e erosões precoces). Os critérios de classificação ACR/EULAR 2010 são frequentemente utilizados na prática, embora não sejam critérios diagnósticos formais. O envolvimento de pequenas articulações das mãos e pés, rigidez matinal prolongada e sintomas sistêmicos são característicos.
Tratamento:
O tratamento deve ser iniciado precocemente, preferencialmente nas primeiras semanas ou meses após o início dos sintomas. O consenso da American College of Rheumatology (ACR) e da European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR) recomenda o uso de metotrexato como terapia de primeira linha, salvo contraindicações. Em casos de baixa atividade, hidroxicloroquina pode ser considerada. Se não houver resposta adequada, pode-se associar outros DMARDs sintéticos (sulfassalazina, leflunomida) ou iniciar DMARDs biológicos (inibidores de TNF, IL-6, abatacepte, rituximabe) ou sintéticos alvo-específicos (inibidores de JAK, como tofacitinibe, baricitinibe, upadacitinibe, etc). Corticoides podem ser usados como ponte terapêutica, mas devem ser retirados o mais rápido possível. O objetivo é atingir remissão ou baixa atividade da doença (“treat-to-target”).
Vacinação e monitorização de comorbidades, especialmente risco cardiovascular, são essenciais devido ao aumento de morbidade e mortalidade.
A artrite reumatoide tem tratamento eficaz e os melhores resultados vêm quando ele começa cedo. Se você sente dor e rigidez nas articulações, procure um reumatologista e inicie o cuidado adequado.
Referências:
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