Fibromialgia: o que é, como identificar e como tratar essa síndrome crônica
- 2 de abr.
- 3 min de leitura
A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas e sintomas somáticos diversos, sem evidência de doença inflamatória ou estrutural subjacente.

Fisiopatologia:
A fisiopatologia envolve principalmente a sensibilização central, com processamento anormal dos sinais nociceptivos, levando à hiperalgesia e alodinia. Estudos sugerem desequilíbrio entre neurotransmissores excitatórios e inibitórios, disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, alterações autonômicas, ativação glial, neuropatia de pequenas fibras, fatores genéticos e possíveis gatilhos infecciosos ou autoimunes. A prevalência é maior em mulheres, possivelmente relacionada a fatores hormonais e de resposta ao estresse.
Sintomas:
Os sintomas da fibromialgia incluem principalmente dor musculoesquelética difusa e crônica, frequentemente acompanhada de fadiga, distúrbios do sono (como dificuldade para adormecer, despertares frequentes ou sensação de sono não reparador), rigidez muscular e sensibilidade generalizada à palpação. Além disso, são comuns alterações cognitivas (como dificuldade de concentração, esquecimentos e lentidão mental, frequentemente referidas como “fibrofog”), distúrbios de humor (depressão, ansiedade) e sintomas somáticos como cefaleia, parestesias (formigamento ou sensação de queimação), dor abdominal e distúrbios gastrointestinais (por exemplo, síndrome do intestino irritável).
Segundo a American Academy of Family Physicians, a apresentação clínica é marcada por dor crônica difusa, fadiga, distúrbios do sono e sintomas cognitivos, sendo frequente a presença de comorbidades psiquiátricas e outros distúrbios somáticos.
O exame físico geralmente revela sensibilidade difusa, sem sinais inflamatórios ou deformidades articulares. Sintomas persistem por pelo menos três meses e podem ser desencadeados ou agravados por estresse físico ou emocional.
Em resumo, os sintomas mais característicos são dor difusa, fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas e distúrbios de humor, podendo coexistir com outros sintomas somáticos.
Diagnóstico:
O diagnóstico é clínico, baseado em critérios estabelecidos. Segundo a American College of Rheumatology (ACR), os critérios de 2016 exigem dor generalizada em pelo menos quatro de cinco regiões por mais de três meses, além de escores mínimos no índice de dor generalizada e na escala de gravidade dos sintomas (fadiga, sono não reparador, sintomas cognitivos).
Os critérios AAPT (American Pain Society Pain Taxonomy) requerem dor em pelo menos seis de nove regiões anatômicas, com fadiga ou distúrbios do sono moderados a graves, por pelo menos três meses.
Exames laboratoriais e de imagem são usados apenas para excluir outras causas de dor crônica.
Tratamento:
O tratamento é multidisciplinar e individualizado. A American Academy of Family Physicians recomenda iniciar com educação do paciente, exercícios aeróbicos graduais e terapia cognitivo-comportamental como primeira linha.
Medicações podem ser adicionadas para sintomas refratários: antidepressivos tricíclicos (ex: amitriptilina), inibidores da recaptação de serotonina-noradrenalina (ex: duloxetina), e gabapentinoides (ex: pregabalina).
Analgésicos comuns (AINEs, opioides) não são recomendados devido à falta de eficácia e risco de efeitos adversos.
O manejo deve ser centrado no paciente, com ajuste conforme resposta clínica e comorbidades.
Muitos pacientes demoram anos para receber o diagnóstico correto de fibromialgia. Se você convive com dor difusa, fadiga e distúrbios do sono, procure um reumatologista e inicie um cuidado individualizado.
Referências:
1. WINSLOW, B. T.; VANDAL, C.; DANG, L. Fibromyalgia: diagnosis and management. American Family Physician, v. 107, n. 2, p. 137–144, 2023.
2. WINSLOW, B. T.; VANDAL, C.; DANG, L. Fibromyalgia: diagnosis and management. American Academy of Family Physicians, 2023.
3. SIRACUSA, R.; PAOLA, R. D.; CUZZOCREA, S.; IMPELLIZZERI, D. Fibromyalgia: pathogenesis, mechanisms, diagnosis and treatment options update. International Journal of Molecular Sciences, v. 22, n. 8, p. 3891, 2021. DOI: 10.3390/ijms22083891.
4. BONOMI, S.; OLTRA, E.; ALBERIO, T. In search of molecular correlates of fibromyalgia: the quest for objective diagnosis and effective treatments. International Journal of Molecular Sciences, v. 26, n. 19, p. 9762, 2025. DOI: 10.3390/ijms26199762.
5. FILIPOVIC, T.; FILIPOVIĆ, A.; NIKOLIC, D.; et al. Fibromyalgia: understanding, diagnosis and modern approaches to treatment. Journal of Clinical Medicine, v. 14, n. 3, p. 955, 2025. DOI: 10.3390/jcm14030955.
6. SARZI-PUTTINI, P.; GIORGI, V.; MAROTTO, D.; ATZENI, F. Fibromyalgia: an update on clinical characteristics, aetiopathogenesis and treatment. Nature Reviews Rheumatology, v. 16, n. 11, p. 645–660, 2020. DOI: 10.1038/s41584-020-00506-w.
7. DEMORI, I.; LOSACCO, S.; GIORDANO, G.; et al. Fibromyalgia pathogenesis explained by a neuroendocrine multistable model. PLoS One, v. 19, n. 7, e0303573, 2024. DOI: 10.1371/journal.pone.0303573.
8. PAROLI, M.; GIOIA, C.; ACCAPEZZATO, D.; CACCAVALE, R. Inflammation, autoimmunity, and infection in fibromyalgia: a narrative review. International Journal of Molecular Sciences, v. 25, n. 11, p. 5922, 2024. DOI: 10.3390/ijms25115922.
9. KUNDAKCI, B.; KAUR, J.; GOH, S. L.; et al. Efficacy of nonpharmacological interventions for individual features of fibromyalgia: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. Pain, v. 163, n. 8, p. 1432–1445, 2022. DOI: 10.1097/j.pain.0000000000002500.




Comentários